'Japa do PCC' segue com tornozeleira após entregar passaporte vencido à Justiça; entenda

  • 14/08/2026
(Foto: Reprodução)
Defesa de Karen de Moura Tanaka pediu retirada de monitoramento eletrônico Reprodução e Rede Amazônica Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como 'Japa' e investigada por lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), segue usando tornozeleira eletrônica mesmo duas semanas após a Justiça de São Paulo (SP) determinar a revogação da medida cautelar. O impasse ocorre porque Karen não entregou um passaporte válido à Justiça, uma das condicionantes para substituição das medidas cautelares que eram cumpridas desde agosto de 2025. Karen foi presa no litoral de São Paulo, em 2024, com mais de R$ 1 milhão e US$ 50 mil. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Após a decisão que revogou o uso da tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno, a defesa de Karen apresentou um passaporte vencido em 2008. A Justiça constatou, porém, que havia um outro passaporte em nome dela com validade até 2028. Os advogados alegaram à Justiça que o documento foi apreendido durante a prisão em flagrante. A Polícia Civil, no entanto, negou estar em posse do passaporte. Para que Karen deixe de usar a tornozeleira, a defesa pediu que o passaporte válido fosse cancelado. A medida foi autorizada pela Justiça, mas o monitoramento de Karen foi mantido até a manifestação do Ministério Público (MP) sobre o ocorrido. Na última quarta-feira (12), o órgão pediu a anulação da decisão que revogou as medidas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para a Promotoria, Karen descumpriu a condição imposta pela Justiça ao apresentar um passaporte vencido. Ainda segundo o MP, a versão apresentada pela defesa comprometeu o reconhecimento da boa-fé de Karen. O MP sustentou que Karen não informou que possuía outro passaporte válido até 2028. A justificativa da apreensão, ainda conforme o órgão, ocorreu depois que a consulta aos sistemas federais revelou a existência do segundo documento. “Caso efetivamente considerasse que o documento válido permanecia em poder da Polícia Civil, caberia à investigada esclarecer essa circunstância desde logo, em vez de simplesmente entregar o documento expirado”, destacou o MP. Os pedidos serão novamente avaliados pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. Ainda não há previsão para a nova decisão. Medidas revogadas Karen de Moura Tanaka Moris foi presa com mais de R$ 1 milhão em dinheiro Divulgação/Polícia Civil e Matheus Croce/TV Tribuna A Justiça de São Paulo revogou, no fim de julho, as medidas cautelares de uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno e nos dias de folga de Karen. As restrições foram substituídas pela proibição de deixar o estado de São Paulo sem autorização. Os advogados de Karen solicitaram à Justiça o fim do monitoramento eletrônico, apontado como “instrumento de punição e tortura psicológica”. Segundo a defesa, ela sempre esteve à disposição das autoridades e nunca quebrou as medidas impostas. A defesa também alegou que, mesmo após o encerramento do inquérito, novas investigações foram abertas, prolongando o uso da tornozeleira. Os advogados pontuaram que a investigada não foi denunciada pelo Ministério Público até o momento. A juíza Paula Cattan considerou que manter o recolhimento noturno e a tornozeleira eletrônica por tempo indefinido seria desproporcional e poderia transformar uma medida cautelar em uma espécie de pena antecipada. “Não se justifica que uma pessoa permaneça submetida a recolhimento noturno e nos dias de folga e a monitoração eletrônica enquanto se aguarda a conclusão de diligências que deveriam ter sido realizadas há muito tempo”, destacou Paula Cattan. A decisão também levou em conta que Karen tem residência fixa, não violou as medidas anteriores e não demonstrou tentativa de fuga. “O recolhimento noturno e nos dias de folga é medida que restringe significativamente a vida social e familiar”, disse a juíza. Investigada Viúva de chefe de facção executado é presa por lavagem de dinheiro no litoral de SP Matheus Croce/TV Tribuna O anúncio da prisão de Karen foi feito em fevereiro de 2024, durante a Operação Verão, pelo então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e pelo delegado-geral de São Paulo, Artur José Dian. De acordo com Dian, as investigações iniciadas em junho de 2023 apontam Japa como uma das principais responsáveis pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Baixada Santista. “Ela fazia a lavagem de dinheiro através de diversas empresas de 'laranjas'. Pegava esse dinheiro e o fazia circular. Os relatórios de informações financeiras levam a milhões de reais”, explicou o delegado-geral à época. Na ocasião, foram cumpridos três mandados de busca: em uma residência em Bertioga, em um escritório virtual usado para acordos de lavagem e no apartamento onde foi detida no Tatuapé, em São Paulo. Mandado foi cumprido na residência de Karen, na capital do estado Reprodução Viúva de Cabelo Duro Viúva de chefe de facção executado é presa por lavagem de dinheiro no litoral de SP Divulgação/Polícia Civil e Reprodução Karen é viúva de 'Cabelo Duro', executado em 2018 e apontado como um dos principais chefes do PCC. Ele foi investigado por roubos em marinas de luxo e pelo assassinato de um policial militar. A polícia também apura se Wagner desviou dinheiro ou participou das mortes de outros dois integrantes da facção: Rogério Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano de Souza, o Paca. Segundo a Polícia Civil, Karen já havia se relacionado com outro integrante do PCC, conhecido como ‘Juan’, também executado em 2011. À época, a defesa dela afirmou desconhecer o envolvimento dos companheiros com o crime organizado.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/14/japa-do-pcc-segue-com-tornozeleira-apos-entregar-passaporte-vencido-a-justica-entenda.ghtml


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