Acusado de matar esposa e forjar suicídio dela vai a júri popular no litoral de SP
13/05/2026
(Foto: Reprodução) Marido acusado de forjar a morte da própria mulher vai a júri popular
Emílio Carlos Alves Ramos, acusado de matar a esposa por estrangulamento e forjar o suicídio dela no apartamento do casal, passará por júri popular nesta quarta-feira (13), no Fórum de Santos, no litoral de São Paulo, quatro anos após o crime.
Camila Indame Ramos, de 39 anos, foi encontrada morta no apartamento do casal, na Vila Mathias, em abril de 2022. Na época, Emílio acionou a polícia alegando ter encontrado o corpo e afirmou que a esposa enfrentava um quadro depressivo.
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O caso chegou a ser tratado como suicídio, mas a investigação mudou a natureza da ocorrência para homicídio com três qualificadoras: feminicídio, asfixia e violência doméstica, além de fraude processual.
Emílio Carlos é acusado de matar Camila Indame no apartamento onde eles viviam em Santos (SP)
Brenda Bento/g1 e Reprodução/Redes sociais
Conforme apurado pela TV Tribuna, afiliada da Globo, a sessão está prevista para 9h30 no fórum localizado no Centro de Santos. Ao todo, devem ser ouvidas 11 testemunhas: quatro por parte da defesa, uma da família da vítima e seis do Ministério Público (MP).
O júri já foi adiado por três vezes devido à indisponibilidade de uma testemunha da defesa. A primeira sessão estava marcada para setembro do ano passado, mas foi alterada para outubro e, depois, adiada para março de 2026.
Prisão
Emílio foi preso em junho de 2023 e chegou a ser solto pela Justiça em maio de 2024, mas voltou à prisão cerca de uma semana depois, após o Ministério Público alegar periculosidade e pedir nova detenção.
Durante o processo, ele negou ter cometido o crime e afirmou que Camila havia tentado contra a própria vida no dia anterior. Ao g1, advogado Eugênio Malavasi, que representa o réu, disse que a defesa está confiante da absolvição do réu.
"A expectativa da defesa é a demonstração da verdade dos fatos, ou seja: a proclamação da inocência daquele que jamais praticou esse crime. A prova é contundente sobre a ideação suicida da vítima", afirmou.
Camila Indame Ramos, de 39 anos, foi dada como morta por suicídio em abril do ano passado em Santos, SP
Reprodução/Redes Sociais
Relembre o caso
Segundo o boletim de ocorrência, Camila foi encontrada na sala do apartamento com um pano enrolado no pescoço. A morte foi constatada pelo Samu, acionado ao imóvel onde ela morava com o marido na Avenida Ana Costa, no bairro Vila Mathias.
Emílio relatou à polícia que saiu para trabalhar e trocou mensagens com a esposa, mas, por conta da rotina, não conseguiu acompanhar o celular. Ao fim do expediente, notou que ela não havia respondido.
Ao chegar em casa, encontrou o corpo caído de bruços com o pano no pescoço. O homem disse que tentou retirá-lo e realizou manobras cardíacas, sem sucesso. Ele informou ainda que a mulher enfrentava depressão e fazia uso de zolpidem.
À época, o delegado Marcelo Gonçalves afirmou que os laudos indicaram marcas no corpo da vítima causadas em três datas: 6, 15 e 16 de abril de 2022. A última de quando ela foi encontrada morta. Segundo ele, a versão do marido não se sustentava.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima estava sob efeito de álcool e zolpidem, medicamento que induz o sono. Gonçalves relatou que, durante o interrogatório, o homem admitiu que a esposa ficava “grogue” sob o efeito da substância. O delegado questionou como alguém nessa condição teria força para causar tantas lesões e ainda cometer suicídio, mas não obteve resposta.
O perito responsável pela ocorrência também não encontrou nenhum objeto compatível com as lesões.
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